Perante o potencial que os BRICS têm demonstrado nos últimos
anos, deve-se perguntar quais são os desafios e as oportunidades
que a América Latina pode gerar em um contexto multipolar com alta
fricção.
O estudo "A Infraestrutura no Desenvolvimento Integral da
América Latina. Fortalecer as capacidades logísticas e competir com
sucesso nos mercados mundiais de serviços de logística: imperativos
e oportunidades para a América Latina" (CAF 2013) apresenta
alguns desafios que permitiriam que a região para reforçasse a sua
posição no intercâmbio econômico mundial:
- Alimentos processados. A América Latina pode
construir posições competitivas em alimentos processados?, com
identidade regional, marcas reconhecidas e, além disso, um
posicionamento "verde" e de "confiabilidade/rastreabilidade
sanitária e ecológica" que será um diferencial competitivo cada vez
mais importante.
- As atividades industriais. Com as novas
tendências ao reshoringou repatriação de atividades produtivas,
países como o México se reencontram com uma oportunidade histórica;
o Brasil poderá competir por uma posição melhor, e os países com
alguma capacidade industrial como a Argentina e a Colômbia poderão
competir em núcleos de atividades que são realocadas para "as
Américas".
- Tecnologia. O modelo de "exportação de
Bangalore" está dando lugar para um modelo multipolar ou
denearshoring, onde os clientes buscam uma maior proximidade física
e cultural; e onde vários países da América Latina têm dotações de
recursos para capitalizar sobre estas novas oportunidades.
- Turismo e educação. As experiências
bem-sucedidas de serviços turísticos e educativos na Austrália e na
Nova Zelândia - países que transformaram esses dois setores em
grandes indústrias de exportação esoft power(ou
prestígio/influência cultural) - são uma referência para imaginar o
potencial da oportunidade que a América Latina tem adiante.